sábado, agosto 26, 2006

Persianas elas,
quebradas em frestas não contém o som.
Deixa vazar com velocidade a espionagem,
inspiração, fulga certeira.
Quando a luz se apaga, a lua me ascende.
Fujo gargalhada do cotidiano.
A alma despudorada se deixa musicar blasfêmias de bem dormir.
Nenhum peso. Pego um pedaço de atração nos cacos urbanos.
Do belo ao môco, transformando.
Cada som abriga as palavras, imagens escolhidas pela minha
vira-latice, vira-latice, vira-latice...
Organizo as próximas fugas nos cantos do mundo
como música, mú....sica!

quinta-feira, agosto 03, 2006

Penhora, senhora!

Ele se assusta, vira o volante que estou guiando e o carro... cabúm...
Forma uma nova lataria na parede e na minha boca.
Perco alguns dentes, desloco a mandíbula e sigo em frente "pela estrada a fora, eu vou bem sozinha!..."
Anos se passam e a cirurgia e implantes na motor da minha boca perdem a eficácia.
Recado de mãe cai do céu: - ainda tem umas pulseiras que te deixei, filha!
Nunca lembrei disso.

Segundo passo:
Caixa Econômica Federal.
Uma mulher no guichê para atender. Jovem no meio de tantas pendências e rugas sentadas.
Nunca penhorei nada à não ser a mim mesma. Vamos ver como funciona.
Ela agora analisa minhas peças e não parece estar nenhum um pouco concentrada no ouro que minha mãe, ex-doméstica transformada em eficiente comerciante por mérito próprio - adoro dizer- deixou.
Algumas gramas perdidas na bebida que o meu pai mamou.Ele era do cacête com whisky ou sem.
Ela, leonina, olhos verdes e raça. Raça pura da roça fluminense.
Meu lado "jaca" deve ter vindo de alguma semente que ela comeu no meio daquela pobreza vivida na farta terra; alimento seu e de mais oito irmãos, todos pequenos de pai morto.
Puta q o pariu!
Quanto será que a bonitinha vai me pagar prá pendurar tanta história...
Minha boca precisa de dentes. Dentes prá comer, prá falar, prá sorrir, prá não me acanhar perante essa gente bem educada que eu convivo.
Eu também! Eu também estudei nos melhores colégios como bolsista, levando responsabilidade na mala e culpa na merendeira, principalmente quando com freiras, adquirindo cultura e baixa-estima no lanche diário.
Resposta da mocinha:
- valem R$1.711,00 - Oba! Preciso de R$1.800,00.
Tá quase paga a reforma bucal e mais alguns calos de dívida no meu cérebro.
Foda-se! Já pequei e devo tanto desde que saí da escola que se contasse aqui, ultrapassaria o tempo do atendimento.
- Obrigada, mocinha!
Trarei meu sorriso para vc ver (ela acabou por me dar os R$1.800,00 necessários).
Quantos dentes ficaram no carro...
Ah! lembro não! Mas toda perda tem seu preço, principalmente o que deus deu. Amém, mocinha!
Semana que vem, sorrirei novamente!

terça-feira, agosto 01, 2006

Um dia para ler

Um dia para ler

O desejo se espalhava levemente por seu corpo (se ampliam em dias ciclos femininos). Era uma tarde tranquila lendo Anaís Nin e os arrepios dos contos eriçavam seus pêlos.
Fez uma pausa sem largar o livro - Delta de Vênus - enroscando-o entre os dedos e foi urinar. Ao entrar no banheiro, reparou como nunca no pequeno espêlho, há muito exibido, com sua forma retangular e emoldurado de madeira que pelo tamanho e posição, revelava direta e exclusivamente o quadril da moça, a curta camisa e a calcinha que lhe vestiam. Nada mais. O espelho viu seu desejo; a imagem da vulva atrás da malha, o alto das cochas...
Em alguns segundos seus dedos se encaminharam para o centro das pernas que sem censura, dedicaram-se às carícias que lhe lembrava os contos do livro.
Iniciou uma pesquisa geográfica quente, com seu tato alisando o calor do sexo que aumentava velozmente. Afastando a calcinha viu o rosa escuro com pêlos escolhidos na depilação. E mais; a "rima" no encontro dos grandes lábios que abriam o falso fecho, apontando a entrada do canal despudorado, sorrindo líquido.
As carícias aumentaram e ela, revirando os olhos, percebeu em cima da pia o repouso da nova escova de cabelo e...seu cabo.
Mordeu os lábios e não freiou o instinto lavando bem o objeto, principalmente... o "cabo". Usou álcool, deixando-o secar com o corpo tremendo em espera e os dedos em movimento.
O livro a olhava deitado na tampa do sanitário.
Com a escova já seca, recomeçou os caminhos percorridos na superfície da calcinha e nas pernas, provocou leves arranhões com o naylon que penteia os longos cabelos, passando-a nas partes finas até que o rumo da penetração foi encontrado.
Como que para um homem, a vagina se abriu com calma tranquilizando o verso aumentando as carícias, entregando-se a completo delírio. Apoiou-se em tudo para não perder a imagem refletida: box, bidé, pia... Foi como um banho de água quente e seu corpo subiu, desceu, cresceu... e entregando-se,... dissolveu.
Os sentidos eletrificados relaxaram como que sobre o corpo do outro e só algum tempo depois, retirou o objeto de dentro de si, tendo apenas um cúmplice.
Entrelaçou novamente o livro em seus dedos e dirigiu-se para a cama aonde nesses momentos, é pleno desfrutar.
Dormiu e sonhou.